Conhecimento se constrói com referências.

Esses dias me fizeram uma pergunta que ficou na minha cabeça: “Você já pensou em fazer uma mentoria?”

Minha primeira reação foi pensar em tudo o que precisei aprender para chegar até aqui e percebi que nunca tive uma mentoria propriamente dita. Nunca existiu alguém sentado ao meu lado dizendo exatamente o que deveria fazer, qual caminho seguir ou qual seria o próximo passo.

O que sempre existiu foi curiosidade. Sempre gostei de ler, estudar, observar pessoas, conversar, procurar referências e principalmente testar aquilo que fazia sentido para mim. Algumas coisas deram certo, outras deram completamente errado e muitas só passaram a fazer sentido depois de anos. Talvez por isso eu tenha uma definição muito particular sobre conhecimento.

Para mim, conhecimento não é simplesmente acumular informação. Conhecimento é reunir referências suficientes para conseguir adaptá-las àquilo que você acredita e à realidade que está vivendo. E quanto mais trabalho com marketing, mais percebo que isso também explica muito da maneira como trabalhamos dentro da Efeito.

Nós não acreditamos muito em receita pronta.

Podemos estudar o que outras empresas estão fazendo, acompanhar tendências, observar formatos que estão funcionando, entender algoritmos, analisar métricas e conhecer todas as ferramentas disponíveis. Tudo isso é importante e faz parte do nosso trabalho, mas nenhuma dessas referências conhece o cliente que está sentado na nossa frente.

É aí que começa a parte mais interessante.

Precisamos entender o negócio, as pessoas, o momento, a história e principalmente aquilo que talvez nem o próprio cliente tenha percebido que possui de valor. Porque marketing também é saber reconhecer oportunidades enquanto elas estão acontecendo.

Nem tudo o que produzimos precisa servir apenas para hoje!

Recentemente estávamos discutindo um trabalho e surgiu uma reflexão que resume muito daquilo que acreditamos. "Quando estamos diante de uma boa oportunidade de produção, por que deveríamos pensar somente na postagem da semana?"

Se temos uma pessoa importante disponível, uma história interessante acontecendo, uma estrutura montada, um evento, uma conquista, um cliente satisfeito ou qualquer outro momento que dificilmente conseguiremos reproduzir exatamente da mesma maneira no futuro, nosso trabalho não deveria ser apenas produzir aquilo que está previsto no calendário.

Deveríamos registrar. E registrar bem.

Porque talvez aquele material não seja necessário agora, mas daqui a seis meses pode se transformar na abertura de um vídeo institucional. Uma frase dita hoje pode ser exatamente o argumento que faltava para uma campanha futura. Uma imagem de bastidor pode contar a evolução de uma empresa daqui a três anos. Um depoimento pode ajudar uma venda que ainda nem sabemos que precisaremos fazer.

É aí que existe uma diferença importante entre simplesmente produzir conteúdo e construir um acervo de comunicação.

Uma publicação tem prazo. Um bom registro pode ter história. O presente também precisa ser produzido pensando no futuro

Existe uma ansiedade natural no marketing digital que nos faz pensar demais no agora. Qual é o post de amanhã? Qual vídeo vamos publicar esta semana? Quantos conteúdos ainda faltam neste mês?

Tudo isso faz parte da rotina, mas não pode limitar nossa visão.

Na Efeito, gostamos de pensar que toda boa produção deveria responder a duas perguntas: o que isso pode fazer pelo cliente hoje e o que isso ainda poderá fazer por ele amanhã?

Essa segunda pergunta muda completamente a forma como enxergamos uma entrega.

Um vídeo produzido hoje pode gerar alcance agora, mas também pode se tornar apresentação comercial no futuro. Uma sessão de fotos pode alimentar as redes sociais durante meses, mas também servir para um site que ainda nem existe. Uma entrevista pode render cortes agora e se transformar, anos depois, em um registro importante da história daquela empresa.

E existe algo ainda mais valioso nisso tudo. O tempo não volta.

Você consegue remontar cenário, contratar novamente uma equipe, comprar equipamentos melhores e até repetir uma fala, mas dificilmente consegue reproduzir exatamente um momento.

Por isso existem situações em que preferimos produzir mais do que inicialmente imaginávamos. Não por quantidade. Por oportunidade.

Se estamos ali, se existe uma boa história acontecendo e se aquele registro pode ter valor, limitar a produção simplesmente porque “isso não estava previsto” muitas vezes significa desperdiçar algo que amanhã não conseguiremos recuperar.

Claro que existem contratos, escopos, custos e limites naturais em qualquer prestação de serviço, mas eles não podem matar nossa capacidade de enxergar uma oportunidade para o cliente. Porque o nosso maior interesse não deveria ser terminar uma lista de entregas. Deveria ser terminar um trabalho e olhar para aquilo pensando: fizemos tudo o que poderíamos fazer com a oportunidade que tínhamos nas mãos?

Talvez seja isso que eu responderia sobre mentoria!

Depois de pensar bastante naquela pergunta, percebi que talvez eu não tenha uma fórmula para ensinar alguém a trabalhar com marketing. E nem gostaria de ter.

O que tenho são referências. Algumas vieram dos livros, outras de profissionais que admiro, outras de conversas aparentemente sem importância e muitas vieram dos próprios clientes. Mas uma enorme parte veio de fazer. De estar presente. De testar. De olhar um trabalho pronto e perceber que poderia ter feito diferente. De acertar uma estratégia e tentar entender por que funcionou. De errar e carregar aquele aprendizado para o próximo projeto.

Talvez seja justamente por isso que acredito tanto que conhecimento sem prática continua sendo apenas informação. A experiência começa quando você pega tudo aquilo que aprendeu e coloca diante de uma situação que nenhum livro conseguiu prever exatamente como seria.

Marketing é muito disso.

As ferramentas mudam. As plataformas mudam. Os formatos mudam. Aquilo que funciona hoje talvez não funcione daqui a dois anos, mas algumas coisas permanecem.

Curiosidade. Repertório. Capacidade de observar. Vontade de aprender. E principalmente a preocupação de entregar algo que tenha valor de verdade para quem confiou o trabalho a você.

Por isso, quando penso no que queremos construir dentro da Efeito, não penso apenas em quantidade de vídeos, fotografias, campanhas ou publicações. Penso em construir material que tenha história, propósito e possibilidade que possa vender hoje, mas também amanhã. Que possa comunicar o momento atual de uma empresa e, anos depois, ajudar a contar de onde ela veio. Que resolva uma necessidade agora sem perder a capacidade de ganhar novos significados no futuro.

No fim das contas, talvez conhecimento e marketing tenham muito mais em comum do que parece. Os dois são construídos através de referências. Os dois dependem de adaptação. E os dois só ganham valor de verdade quando conseguimos transformar aquilo que temos nas mãos em alguma coisa que continue fazendo sentido depois.

Porque produzir para hoje é parte do trabalho. Construir algo que ainda tenha valor amanhã é o que pode transformar uma simples entrega em patrimônio para uma marca.

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